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domingo, 22 de janeiro de 2012

A Instituição Escolar e o Profissional da Educação

“Aprendemos a voar como pássaros e nadar como peixes,
Mas não aprendemos a conviver como irmãos. ”(M .Luther King)

Quanto ao desafio de ensinar ou vivenciar os valores, Morin (2003) frisa que ensinar valores é o maior desafio para o educador em nosso tempo, devido às diferenças entre os grupos sociais, porque não é possível trabalhar todos os valores de uma forma universal, se tratando de valores éticos que permeiam as práticas docentes. As diferentes culturas e padrões econômicos propiciam outras realidades que se confrontam no âmbito educacional. As Instituição Escolar e a Instituição Familiar a tempos não conseguem uma relação harmônica e provida de uma visão uniforme quanto ampla no que se refere ao requisito “educação”, e se distanciam mais ainda no que compete a se fazer a inclusão.
Antônio Nóvoa (1995) observa que a formação continuada deve possibilitar
ao educador:
“a reconstrução de suas identidades, estimulando o a uma perspectiva
crítico-reflexiva, que forneça aos professores os meios de um pensamento
autônomo e que facilite as dinâmicas de auto formação participada.
Estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre
e criativo sobre percursos e os projetos próprios, com vista à construção
de uma identidade, que é também uma identidade profissional”.

A auto formação para o lidar com as famílias representadas pelos educando é uma urgência que se faz presente, nesse trato também vinculam, o comprometimento com a profissão professor, que lhe induz a buscar não só o que é determinante para o aperfeiçoamento do profissional e da sua carreira, contudo infere de modo significante na conduta e na pratica da inclusão e de se estar preparado para lidar com as necessidades especiais e individuais de cada educando.
Para Nóvoa (1995), a prática docente com dimensão de valor implica um envolvimento de todos os que dela participam; não se trata de produção de “coisas”, mas de repensar e trabalhar ações permeadas de valores éticos, o que torna mais rico o espaço escolar.. Muitas vezes, pelo imediatismo da relação professor-aluno, na sala de aula, isso não acontece, pois o educador, na prática cotidiana, esquece do compromisso com a ação,com a reflexão na ação e esta nunca retroativa mais com atos futuristas dentro de um planejamento introspectivo no que se determina a reflexão de seus valores e conceitos e sendo extrospective, no convívio social com intercâmbio cultural em que focaliza a atenção nos interesses e nas particularidades de outros.
Capacitado para reavaliar as práticas devido o aumento da incidência da falta na superação dos obstáculos que abrangem as pessoas com necessidades especiais, a extroverted é uma forma de devolutiva para a classe de alunos que o profissional esta atuando.
Para Vygotsky apud Monteiro (1989), desde os primeiros anos de vida, a criança que apresenta uma deficiência, ocupa certa posição social especial.
É impossível apoiar-se no que falta a sua criança, naquilo que ela não é.
Torna-se necessário ter uma idéia, ainda que seja vaga, sobre o que ela
possui, sobre o que ela é.
(Vygotsky apud Monteiro, 1989, p.102).
Papel fundamental na educação. Providenciar a estruturação da idéia do que a criança possui se tratando do potencial e sobre o que ela é se espelhando nas suas habilidades e competências que despontam da restrição que lhe esta contida, e lhe proporcionam de certa forma outras aptidões.

O Conceito Assistencialista

"Se as coisas são inatingíveis, não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos se não fora a presença distante das estrelas".
(Mário Quintana)
A diversidade do mundo provoca uma ação, e essa ação vem inúmeras vezes estampada como assistencialista. O que não surti um efeito de ordem construtivo no contexto da inclusão. Perrenoud (2003) aponta que os cursos de formação tendem a concentrar grupos de pessoas com heterogeneidade de profissionais, apesar de muitos refletirem sobre o significado de formador. A partir da valorização das pessoas com necessidades educacionais especiais, surgiu a educação inclusiva, cuja idéia central é intervir diretamente sobre essas pessoas e, reestruturar a sociedade para que seja possível a convivência dos diferentes.
Com Mendes (2002), podemos refletir que o processo de integração escolar era possível somente para os alunos que conseguissem se adaptar a classe comum; portanto não eram exigidas modificações no sistema, sendo que aqueles que não conseguissem acompanhar os demais alunos eram excluídos. Se certa forma constitui-se um prisma que vai ter vários aspectos dependendo do foco, então ser assistencialista era a ação conhecida para cuidar dos casos de alunos com necessidades especiais, quando não se adaptavam. Por conseguinte a modificação no sistema, que vem de encontro dessa forma as necessidades especiais, com a diferenciação de não ser assistencialista, pelo menos não por completo nesses primeiros momentos em que esta se projetando toda uma inclusão.
Segundo Libâneo:
A aprendizagem efetiva acontece quando, pela influência do professor,
são mobilizadas as atividades física e mental próprias das crianças no
estudo das matérias.É o que denominamos de processo de assimilação
ativa. (Libâneo,19942p.83).

O que indica que todo o entorno reflete sobre o educando com necessidades educacionais especiais e, que portanto tende a tramitar no processo de inclusão como incluído e agente da inclusão.
Segundo Mendes (2002),
A idéia da inclusão se fundamenta numa filosofia que reconhece e aceita a
diversidade na vida em sociedade. Isto significa garantia de acesso de todos a
todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada individuo
no grupo social. (p.28).
Articular a filosofia que reconhece e aceita a diversidade com o entorno, interagindo para que as relações sejam significativas, de modo a oportunizar o aprendizado de mundo, que se traduz na cordialidade, a convivência que tem sua importância paralela ao respeito pelo outro, uma união que embate o bullings e outras manifestações incoerentes com o que é preciso e devido a ser implantado.
Tudo implicando para se fazer valer os direitos das pessoas de produzirem e terem seu espaço para demonstrarem seus verdadeiros talentos.

As Necessidades Especiais

“capacidade de luta que há em você,
Precisa de adversidade para revelar-se.”
(Pierre Schurmam)
Na afirmação de Gadotti (2002), a educação supõe força e ação de uns sobre os outros, impostas ou não, o que faz a diferença são as atitudes, os valores éticos. Então a confirmação de valores éticos, na força e na ação da pratica docente, que alterará o resultado na educação.
Inclui-se a importância do professor estar capacitado, ser um político em sua prática, e que o profissional atue diretamente na formação social dos educando para a sociedade que esta inserida na escola e a escola deve estar na sociedade, como aponta Perrenoud (2005) é aprender a cooperar, negociar, gerir conflitos, divergências pontos de vista e interesses. O autor observa que:

“aprender a aceitar as diferenças é uma fórmula cada vez mais
Difundida por aqueles que se preocupam com a coexistência
de diversas etnias e culturas em nossas sociedades, nas quais
se mesclam populações de todas as origens”.
(Perrenoud, 2005, p.84)
O entorno é constituído de educando com a mesma idade cronológica com poucas diferenças os que os torna iguais é a situação que estão sendo expostos de um lado o colega que precisa de um apoio especial pela necessidade que deve ser atendida e por outro crianças que entram nessa realidade pela porta de traz, de repente recebem um colega que esta passando por uma fase do câncer e, aparece na sala sem cabelos, devido ao tratamento, os outros alunos precisam ser preparados para essa inclusão, pode causar espanto para quem não conhece como também ocorrer uma situação de medo, pelas características que a criança traz e vem a ser agora “desconhecido”, até o momento.Portanto para que as outras crianças participem da tarefa da inclusão permeia-se a necessidade da preparação, seja da forma lúdica, com diálogos abertos, com intervenções pedagógicas, a estratégia deve ser de acordo com o publico alvo, respeitando a fase etária, bem como o entendimento que apresentam.
Quanto a essa contextualização, Morin (2003) refere-se ao conhecimento pertinente, pois a sua falta causa uma lacuna no processo educativo. Afirma que não é a quantidade de informações, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto, de torná-lo acessível ao entendimento.
Esse trabalho é ética, em relação aos educando, garantindo um bem estar social. Sendo que a busca de valores éticos na sala de aula significa enfrentar o desafio de instalar na pratica docente, uma constante atitude crítica, reflexiva, de reconhecer os limites e as possibilidades das pessoas e do contexto em que estão inseridas (Morin,2001).
Nada mais seria do que uma compreensão do outro dentro da pratica docente expantindo o atuar do professor de uma forma mais ampla que contextualiza a ética.

IGUALANDO AS DIFERENÇAS

"Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida,
a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força,
muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus,
que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá."
Ayrton Senna
As diferenças que houverem por ventura de qualquer circunstancia sinaliza dentro do processo de inclusão para que se iguale de forma que supra as necessidades não deixando margem para a exclusão que possa emergir por uma diferença que na realidade não existe.
Todos os educando tem o direito a oportunidades de aprendizado. Segundo Mendes (2002),

A idéia da inclusão se fundamenta numa filosofia que reconhece e aceita a
diversidade na vida em sociedade.Isto significa garantia de acesso de todos a
todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada individuo
no grupo social(p.28)

Para tanto o foco precisa ser estudado para que a sua direção não acabe ficando desfocada da realidade em que se deve e é necessária a atuação de todos, em prol de se cada vez mais incluamos as pessoas estreitando as relações, conforme as interações vão construindo=se pelo relacionamento diário entre educador e educando e, eles entre si dentro da instituição escolar em um espaço harmonioso pelo desejo de englobar a todos em uma nova escola.
Para Sassaki (1997), a inclusão escolar baseia-se em princípios como; aceitação das diferenças em que consiste em aceitar o outro como é incondicional a outros fatores que possam outorgar essa atitude, a valorização da diversidade humana no sentido que essa característica tenda a ser uma qualidade, propondo um único serviço de sistema educacional de qualidade para todos os educando com ou sem deficiência.
Para Freire (1995), o ser humano não consegue tudo que deseja, porque nenhuma regra vale para todos já que cada um busca para si uma maneira própria de viver e de ser feliz.
Assim, ao deixar a ética do desejo da inclusão no centro da discussão, percebemos que a tarefa do professor é saber lidar com as diferenças. Ensinar, portanto, mais que suportar, tolerar, reflete o sustentar diferenças e, inferir de modo que as mesmas minimizem ou desapareçam dentro de um contexto de troca de afetividade em uma proposta de socialização.
Aguardando que tudo se concretize, esta o discente, pressionado pela cobrança de estar se ajustando as demandas da instituição escolar, da instituição familiar e da sociedade, que esta inserido de forma somatória, se tratando de números, nas não de forma valorosa que venha a somar em suas ações, com suas habilidades e com o seu potencial.
O tratamento com diferenciação remete a preconceitos e, esse é o grande ponto que requer muito cuidado de todos, quando tratamos as crianças com necessidades especiais, nos colocamos reféns da diferenciação, mesmo inconscientes nossos atos ou palavras tornam a se constituir em uma postura que remete a preconceitos, cabe então a deferência no tratar, lidar e de forma aberta consciente, ventilar o respeito.

Freire destaca uma dominação dentro de uma ingenuidade contida em uma opressão:

A educação como prática de dominação (....) mantendo a ingenuidade dos
educando o que pretende , em seu marco ideológico (nem sempre percebido
por muitos dos que a realizam) é doutrina-los no sentido de sua acomodação
ao mundo da opressão.( Freire, p.66)

Essa mesma educação dominadora, tem métodos repressores que além de limitar o ser humano o poda de seu potencial e, quando se trata de manter a ingenuidade significa reter conhecimentos preciosos em se tratando de liberdade e dos direitos que assiste a cada cidadão, a acomodação consentida nesse processo traz uma postura de resignação as situações enfrentadas pelos discentes com necessidades especiais.
No ECA, encontramos pontos relevantes que se referem à educação focando o trabalho de inclusão dos educando no processo educativo escolar:

Art. 53 - A criança e o adolescente tem direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer as instancias escolares
superiores.
Para esclarecer melhor contamos com um educador e sua experiência transformadora em se tratando de educação e da forma como a mesma é transmitida ou melhor construída.

Planejamento Diversificado

Não há no universo duas coisas iguais. Muitas se parecem umas com as outra;mas todas entre si diversificam. Os ramos de uma só árvore, as folhas de uma mesma planta, os traços da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo fluido, os argueiros do mesmo pó, as raias do espectro de um só raio solar ou estrelar. Tudo assim, desde os astros do céu, até os micróbios no sangue; deste as nebulosas no espaço, ate os aljôfares do rocio da relva dos prados.
Rui Barbosa.

Com a preocupação e o dever de buscar caminhos, formas de intervenção na Instituição Escolar, que contribuam para superar as dificuldades da educação inclusiva e garantir uma educação de qualidade, o profissional da educação prevê a realização de ações integradas no conjunto da esfera do planejamento participativo com o envolvimento de todos. Nessa compreensão, a escola precisa:

“contribuir para desenvolver a tolerância em relação às minorias (...);
proporcionar abertura às outras culturas, a igualdade dos homens e
das mulheres, a participação democrática na vida política, a solidarie
dade para os menos favorecidos, a integração dos deficientes, o respei
to pelo meio ambiente, a defesa dos direitos humanos, a rejeição das
discriminações de todo gênero”.(Philipe Perrenoud,1994,p.21).


De certo Perrenoud, trata da abertura como um todo em uma visão global e dimensionada de forma a captar todas as culturas, a tão almejada democracia política, e a maior visibilidade com uma intensificação na participação do planejamento e se colocando nele como o autor e co-autor.
Freire (2000) ressalta o quanto significa a postura do educador frente ao educando e a sua repercussão em se tratando da afetividade com que se dispensa e da necessária reflexão sobre o assunto, diante disso o autor, aponta que ensinar exige respeito aos saberes do educando. E são esses conhecimentos prévios que são sondados pelos educadores logo após são diagnosticados as inferências necessárias e para tanto construído o planejamento.
Como afirma Libâneo (1994,p.68),”[...] o professor é um administrador e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessário para se atingir os objetivos”. Se o profissional de educação em exercício não se diferenciar pelas suas práticas pedagógicas e ter o tempo necessário para as relações interpessoais, se tratando de alunos de inclusão, que tem uma demanda particular em termos de metodologia de ensino e de aprendizagem, não conseguirá atingir os seus objetivos.
Citando o documento de Cochabamba, no seu artigo 3º que trata da insubstituibilidade do professor para assegurar um aprendizado de qualidade na sala de aula, expressando também a necessidade de se repensar a formação dos professores, conforme indicado no documento:

A função e a formação docente necessitam ser repensadas
com um enfoque sistêmico que integre a formação inicial
com a continuada, a participação efetiva em projetos de
aperfeiçoamento, a criação de grupos de trabalho docente
nos centros educacionais e a pesquisa numa interação
permanente. (UNESCO,2001)

Não basta a promulgação de leis que determinem a criação de cursos de capacitação básica de docentes, nem a obrigatoriedade de matricula nas escolas da rede publica, são de fato medidas essenciais, contudo deixam uma margem a desejar, na atuação e na responsabilidade do profissional da educação. Desde o planejamento até a execução de suas aulas.
Sobre o próprio fazer pedagógico, os educadores precisam saber usar sua ação-reflexão, como instrumento para auxiliar em uma adaptação junto as possibilidades e as peculiaridades dos educando.
Tendo como reflexão Vygotsk:

[...] do mesmo modo que a criança em cada etapa
do desenvolvimento, em cada fase de sua, representa
uma peculiaridade qualitativa, uma estrutura especifica
do organismo e da personalidade, a criança com
deficiência representa um tipo peculiar,
qualitativamente distinto de desenvolvimento.
(Vygotsky,1989,p.6).

Essa reflexão deixa clara a necessidade de se ter o professor “generalista” do ensino regular, com um mínimo de conhecimento sobre o educando diversificado, e educadores “especialistas” nas diferentes necessidades educativas especiais.
Paulo Freire nos diz que ensinar vai muito além de transferir conhecimentos, segundo ele o educador deve:



Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando
entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, a
curiosidades, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e
inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de
transferir conhecimentos (FREIRE, 2004, p. 47).

Tal se confirma nas palavras de Freire, a importância de se estar fazendo o planejamento necessário para o publico alvo, com a flexibilidade necessária para atender com discrepância que encontramos dentro do espaço escolar e, por outro lado o complemento a eficácia, superando a exclusão através de oportunidades educativas adequadas.
Quando se fala em possibilidades existe nessa fala a pretensão de uma abertura, em que se ampliem os horizontes, levando em consideração o outro e, tudo que implica o ser humano. É muito importante se estabelecer o respeito pela produção do educando, avaliando sim, mas dentro de parâmetros que assegurem que essa avaliação é para tomada de posição em ações que venham suprir as necessidades e, não que repreendam e analisem como erros que não levam a aprendizagem.
Uma avaliação negativa é o que em muitos casos provocam a inibição, que castra o educando e acabem por impedir que suas verdadeiras habilidades e potencialidades venham a surgir ou se expandirem dentro das atividades previstas e ministradas em sala de aula.
O educador que se propõem ser aberto a todo tipo de indagações, deve estar preparado não só para o que é conveniente, o que esta integrado ao tema, mas também as questões que lhe fogem, se hoje não fazem sentido por ventura, no amanhã serão responsáveis pelo modo de articular do educando.
É no ensinar que se aprende, com isso se ensina e cria dessa forma um ciclo de conhecimento veiculado por informações pertinentes ou não ao assunto tratado em sala de aula ao conteúdo ministrado.

Educação Inclusiva e o Processo de Ensinar

(...) ai daqueles e daquelas, entre nós, que pararem com sua capacidade de sonhar, de
Inventar a sua coragem de denunciar e de anunciar. Ai daqueles e daquelas que em lugar
De visitar de vez em quando o amanhã, o futuro, optam pelo profundo engajamento no
Hoje, com o aqui e o agora; ai daqueles que em lugar desta viagem constante ao amanhã
Se atrelam a um passado de exploração, de rotina.
Paulo Freire

A escola e seus educadores, tem que oportunizar a possibilidade da aprendizagem significativa, elaborado pedagogicamente, para aprimorar a formação do cidadão reflexivo e critico.
Cunha (2004,p.18-19) enfatiza que “[...} na verdade o processo de ensinar envolve uma compreensão da totalidade, em que são mobilizados saberes indicativos de complexidade da docência”. No fazer o processo se assume o comprometimento para atingir os objetivos sem com tudo desestruturar a equipe escolar, a infraestrutura, dentro de um currículo coerente com a realidade local com um acompanhamento constante.
Freire (1975), cita o diálogo como ponto fundamental na gestão participativa, pois é através dele que tomamos consciência e agimos conscientemente.

A existência humana, porque humana,não pode ser muda, silenciosa
nem tampouco pode nutrir-se de falsa palavras, mas de palavras verdade
ira, com que os homens transformam o mundo. Existir humanamente é
pronuncias o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado por sua vez
se volta problematizado ao sujeitos, a exigir deles novo pronunciar.
(Freire,1975,p.93).

A educação inclusiva requer que o docente se constitua no profissional reflexivo e da reflexão na ação, tendo a reflexão como fundamento de suas práticas considerando que aquilo que o profissional da educação pensa sobre a inclusão determina o que o docente faz em suas práticas pedagógicas. Articular de forma a modificar o espaço que se possa de certa forma inferir em uma problematização em que os sujeitos são também colaboradores para uma efetiva solução dado a experiência e a forma de interpretação pessoal acoplando-as ao cotidiano e suas limitações.
Perrenoud confirma esta afirmação:

A autonomia e a responsabilidade de um profissional dependem de uma
grande capacidade de refletir em e sobre sua ação. Essa capacidade está
no âmago do desenvolvimento permanente, em função da experiência
de competências e dos saberes profissionais.
Por isso, a figura do profissional reflexivo está no ceme do exercício de
uma profissão, pelo menos quando a consideramos sob o ângulo da
especialização e da inteligência no trabalho.(2002,p.13)

Sua capacitação é a ponte para saber mais, o profissional da educação precisa se desenvolver em seu percurso, o conhecimento incita as pessoas a se sentirem inteligentes, capazes e autônomas. A importância do saber não está predestinada apenas ao educando, mas de varias formas aponta para os aspectos do desempenho do educador.
As possibilidades de ensino são viáveis desde que em conformidade com o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal de Vigstsky (2003), a qual estipula haver uma diferença entre o que uma criança pode fazer sozinha e o que pode realizar se receber ajuda. Essa ajuda pode ser provida pelo profissional da educação dentro do processo do ensino aprendizagem.
Antônio Nóvoa (1995) observa que a formação continuada deve possibilitar ao educador:


“ A reconstrução de suas identidades, estimulando a uma pesrpectiva
critico- reflexiva, que forneça aos professores os meios de um
pensamento autônomo e que facilite as dinâmicas de autoformação
participada. Estar em formação implica um investimento pessoal
um trabalho livre e criativo sobre percursos e os projetos com vista
à construção de uma identidade, que é também uma identidade
profissional”.

A necessidade para a educação inclusiva de que tenha se profissionais da educação autônomos com o incentivo ao investimento pessoal, fomentando um trabalho livre e criativo constituindo a construção recíproca do docente e do seu trabalho; se faz de suma importância sendo que vai refletir não só no andamento da educação inclusiva como também em todo o teor do desenvolvimento do trabalho em si envolvido pelas suas particularidades.
Um instrumento de analise é a auto avaliação que expande o olhar e permite um avanço com relação ao conhecimento da sua pessoa e do profissional. Encontra-se nesse processo de formação o educador que considera-se como profissional, o que retoma o significado e o acesso aos conhecimentos básicos que garantem os direitos como sujeito dentro do processo de ensino e na condição de profissional na mesma relação.

A INSTITUIÇÃO ESCOLAR NO PAPEL ACOLHEDOR

Época triste a nossa... mais fácil quebrar um átomo que um preconceito".
(Einstein)

A Declaração de Salamanca (1994) traz uma interessante e desafiadora concepção de Educação Especial ao utilizar o termo “pessoa com necessidades educacionais especiais” estendendo – a todos educando que têm necessidades decorrentes de suas características de aprendizagem. Dentro desse contexto é que atua a Instituição Escolar, se adequando, quanto aos procedimentos e, se reestruturando no aspecto físico da estrutura da escola, com as adaptações que se fazem necessárias para proporcionar a inclusão. Na expectativa de se estar correspondendo perfeitamente ao objetivo educacional, que consiste em aprender. De acordo com Jacques Delors (1998), coordenador do “Relátorio para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI” no livro Educação: um tesouro a descobrir, aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma aprendizagem ao longo da vida, fundamentada em quatro pilares que são ao mesmo tempo pilares do conhecimento e da formação continuada. Aprender a Conhecer, eu só vou aprender a conhecer o mundo ao meu redor, quando primeiramente eu me conheço como um ser, para tanto preciso me amar e, saber aceitar minhas limitações bem como canalizar toda a energia do meu potencial para suprir o que ou no que não consigo me capacitar. Então a Instituição Escolar tem que se conhecer primeiramente para planejar o como vai inferir junto ao educando dentro da comunidade que esta inserida superando suas limitações e questionamentos, no firme propósito da integração como forma de inclusão. No Aprender a Fazer, entra o dispositivo de se aprender no outro e com o outro e, é na Instituição Escolar que temos o trabalho em grupo, é perfeito para o espaço e sintoniza com todos os objetivos, alem de que traz uma enorme aprendizagem de convivência com resultados riquíssimos quanto ao aspecto éticos profissional, sem esquecer que o trabalho em grupo oportuniza a troca dos saberes essenciais para o crescimento cultural do individuo; já englobando o Aprender a viver juntos e, com isso temos o aprender a ser que retoma a primeira idéia, no aprender a conhecer, esta parte é muito importante se tratando da identidade do educando e de como essa esta sendo constituída na interação do espaço escolar.
Para a escola se requer então:
A pedagogia centrada na criança contribui para evitar o desperdi
cio de recursos e a frustração de esperança, conseqüência fre
quente da má qualidade do ensino e da mentalidade do que “o
que é bom para um é bom para todos”.(UNESCO,1994,p.18).

O que estaria baseada a má qualidade de ensino se tendo como indicador o desperdício de recursos e a frustração da esperança, eixos que se contradizem e desrespeitam a Constituição Cidadã, além de que não convém a Instituição de Ensino fragmentar a educação que é oferecida igualmente a todos de uma forma com que possam interagir com a escola.
Então a Instituição Escolar tem a preocupação com a diferenciação. Diferenciar-se é organizar as interações e as atividades de forma que cada aluno seja tão freqüentemente quanto possível confrontado com as mais fecundas situações didáticas para ele. (Perrenoud, 1995). É essa diferenciação que cria e recria uma nova didática dentro da escola e para uma nova escola a escola inclusiva que tem por objetivo o ensino e a educação do educando com necessidades especiais.
2.1 – Adequações da Estrutura

A estrutura da escola em se tratando do currículo ou do espaço físico tem que ser analisada e atualizada para entrar em conformidade tanto com a Lei como também com as necessidades especiais do educando.
Perrenoud (2000) aponta fatores que impedem a construção do coletivo dentro do contexto educacional como a limitação histórica da autonomia político administrativa do profissional da Educação e o individualismo dela conseqüente, a falta do exercício das competências de comunicação, de negociação, de cooperação, de resolução de conflitos, de planejamento flexível e de integração simbólica a diversidade das personalidades que constituem o grupo de educadores e, até mesmo a presença freqüente da pratica autoritária da direção, ou coordenação do ensino. Uma adequação que se faz necessária para suprir as necessidades especiais do educando e, tem que refletir na estrutura se tratando do acesso com rampas, portas adequadas, sanitários adaptados, quanto também ao pedagógico que a principio pode parecer tarefa meramente do professor mais é interessante e fundamental que seja realizada por todos, para se ter uma escola para todos.
Mas sem duvida que:


É comum em nossas escolas atribuir-se ao ensino a tarefa de mera
transmissão de conhecimentos, sobrecarregar o aluno de conhecimentos
que são decorados sem questionamento, dar somente exercícios
repetitivos, impor externamente a disciplina e usar castigos. Trata-se de
uma prática escolar que empobrece até as boas intenções da Pedagogia
Tradicional que pretendia, com seus métodos, a transmissão da cultura
geral, isto é, das grandes descobertas da humanidade, e a formação do
raciocínio, o treino da mente e da vontade (LIBÂNEO, 1994, p. 65).

Constitui se mais do que uma mera transmissão de conhecimento o atuar da instituição escolar, que vem a ser a própria inclusão do sujeito do processo no processo sem diferenciações partindo da primicia de uma integração de fato e comprometida. A pratica escolar acima de tudo tem o dever de ser mais do que tradicional se tratando da transmissão dos conhecimentos e da cultura, hoje espera se muito além de informações, no quanto que se faz necessário termos cidadãos portadores de uma liberdade conquistada e de uma reflexão critica construída paralelamente no desenvolver de suas habilidades e potencialidades dentro do âmbito escolar.
Nesta perspectiva da escola entende-se:

“profissionais que políticas de informação devem ser pensadas como uma
prioridade para todos os grupos que compõem a sociedade brasileira,
observando-se as demandas e as particularidades de cada contexto.
Tais políticas supõem uma concepção de informação que aposta
na provisoriedade da ciência e no conhecimento do conhecimento
que deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de
preparação para enfrentarmos os riscos permanente” ( Morin,2003,p.14)


Entretanto os grupos que compõem a sociedade são os mesmos que contém as crianças com as necessidades especiais, e somente na Instituição Escolar podem encontrar a adequação necessária para o seu desenvolvimento físico e mental. É particularmente proporcional a atuação do educando na escola pela receptividade com que ele usufrui da instituição, e se tem problemas de aprendizagem, torna-se vital o domínio das habilidades e competências que caracterizam a sua faixa etária e que lhe estão a disposição pelo seu organismo.